Por Adrienne Sweetwater
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Qualquer pessoa que já tenha morado fora de seu país de origem por um longo período dirá que adaptar-se a uma nova cultura pode ser extremamente turbulento. Muitos relatam que os primeiros seis meses a um ano vivendo no exterior são como uma montanha-russa interminável.
Profissionais da área intercultural se lembrarão das quatro fases da “Curva em U” da Adaptação Cultural (Lysgaard, 1955):
- Lua de mel/euforia
- Choque cultural anticlimático
- Adaptação
- Integração
Mais tarde, Gullahorn e Gullahorn (1963) apresentaram a “Curva em W”, que inclui o processo de retorno e o choque cultural reverso ao voltar ao país de origem.
Com o tempo, diversos teóricos interculturais refutaram essas teorias das curvas, provando que são incompletas e não representam adequadamente as experiências de muitos indivíduos multiculturais (veja o resumo de Bruce La Brack). Apesar de suas limitações, essas curvas ainda são visualmente úteis — elas ajudam a mostrar aos participantes de workshops e expatriados de primeira viagem (e suas famílias) que estão realmente prestes a encarar uma jornada longa e cheia de altos e baixos. Respostas específicas para perguntas sobre como, quando e por quanto tempo vão depender do perfil individual ou familiar.

Ajuste cultural dos expatriados
Com os expatriados e suas famílias cada vez mais diversos, é particularmente importante prestar atenção ao processo de adaptação cultural do(a) coexpatriado(a) — termo adotado por profissionais de mobilidade global para reconhecer a importância fundamental do cônjuge que acompanha o expatriado(a). Abaixo, compilamos algumas dicas para expatriados (e profissionais que trabalham com eles) alcançarem uma adaptação mais bem-sucedida:
1. Reconheça o que mudou
Em missões no exterior, enquanto o cônjuge que trabalha está imerso em suas funções profissionais e os filhos se adaptam à nova escola, o(a) coexpatriado(a) muitas vezes se vê em um papel totalmente novo. Pode ter deixado um emprego ou carreira, sentindo-se repentinamente “inútil”. Mesmo aqueles que já não trabalhavam fora de casa anteriormente podem sentir-se perdidos sem suas rotinas habituais, redes sociais e apoio familiar.
Seja qual for a mudança específica, os(as) coexpatriados(as) geralmente perdem partes significativas de sua identidade. Reconhecer essas mudanças é o primeiro passo para abrir espaço para novos interesses e prioridades.

2. Aprenda o idioma local
A comunicação eficaz é uma das principais medidas de sucesso em uma expatriação. Enquanto o cônjuge profissional está focado em seu trabalho, o(a) coexpatriado(a) geralmente assume a liderança nas conexões sociais e na comunicação com a escola dos filhos.
A expatriada da Differänce, Milena Silveira Guimarães Lamon, compartilha sua visão sobre o aprendizado da língua:
“Assim que você chega ao destino, precisa dominar o idioma. Essa deve ser a prioridade… É extremamente importante falar a língua para se sentir mais confiante, sem barreiras para socializar, fazer amizades e desenvolver novas habilidades. Quando você consegue se comunicar, fica mais à vontade para marcar compromissos, conhecer novas pessoas ou atuar como voluntário. O idioma é a chave para ser feliz com a nova vida.”
A recomendação é participar de aulas em grupo — além do aprendizado, são ótimas oportunidades de socialização. No entanto, para alguns, aulas particulares ou plataformas online podem ser mais adequadas. O essencial é dedicar tempo para alcançar fluência conversacional.

3. Alimente sua curiosidade e mantenha-se ocupado
As distrações podem ser uma das melhores ferramentas de adaptação. Incentivamos os(as) coexpatriados(as) a se envolverem em diversas atividades enquanto exploram o novo ambiente:
- Participar de grupos de voluntariado;
- Entrar em academias ou clubes;
- Fazer cursos em áreas de interesse.
Segundo Milena:
“A adaptação é mais fácil quando você faz algo que realmente gosta. Se puder fazer um curso, escolha algo que te faça feliz e aproveite essa chance para aprender sempre algo novo. Viva essa oportunidade como se fosse única.”
A ideia é que cada membro da família chegue em casa exausto — por falar outro idioma, fazer novas conexões, e superar os pequenos (mas importantes) desafios diários de viver no exterior.

4. Reconstrua sua rede de apoio
Coexpatriados(as) bem-sucedidos frequentemente relatam amizades inesperadas com estrangeiros de diferentes origens, pais de colegas dos filhos ou membros de grupos religiosos. É essencial manter a mente aberta.
Na ausência das rotinas e obrigações familiares do país de origem, é preciso ser criativo para fazer novas amizades. Muitas das amizades mais significativas dos(as) coexpatriados(as) surgem entre outros coexpatriados, normalmente de nacionalidades diferentes.
Na Differänce, fazemos um alerta sobre a armadilha da “bolha de expatriados”: manter-se apenas entre conterrâneos. Embora possa ser reconfortante falar sua língua nativa por um tempo, viver constantemente nesse círculo dificulta a integração cultural.
Embora essas sugestões possam dar a impressão de que a adaptação cultural é simples e direta, a realidade é bem diferente. A adaptação é um processo difícil e complexo. Varia enormemente conforme a personalidade, necessidades e circunstâncias da mudança internacional.
Às vezes, superar os desafios da adaptação cultural se torna quase viciante. Muitos expatriados(as) e coexpatriados(as) acabam se acostumando tanto à adrenalina e à empolgação de viver novas culturas que qualquer outro estilo de vida parece entediante.
O que aprendemos com a experiência — e buscamos transmitir — é que essa sensação de montanha-russa provocada pela adaptação cultural pode ser acessada em qualquer lugar do mundo. Ela faz parte do desenvolvimento de uma mentalidade global, de uma forte inteligência cultural (CQ) e de uma constante busca por alimentar a curiosidade.
Agradecimento especial a Milena Silveira Guimarães Lamon por seus insights e contribuições para este artigo.
