Deprecated: Creation of dynamic property Yoast\WP\SEO\Premium\Generated\Cached_Container::$normalizedIds is deprecated in /home2/differ51/public_html/wp-content/plugins/wordpress-seo-premium/src/generated/container.php on line 27
Expatriações sem Trauma: Como Acolher Talentos Para Além do Crachá - Differänce

Expatriações sem Trauma: Como Acolher Talentos Para Além do Crachá

Por: Adrienne Sweetwater

(Para ler o artigo em Inglês, clique aqui)

Como consultores interculturais, usamos muitos chapéus. Às vezes somos o especialista cultural, às vezes atuamos quase como psicólogos, às vezes somos o primeiro “amigo” que um expatriado faz em seu novo país e, em outras ocasiões, somos o elo com redes de apoio para a família do expatriado. Seja qual for o caso, cada família é única em suas necessidades de apoio e adaptação cultural — e nosso trabalho é descobrir como melhor ajudar nessa transição.

Trabalhar com expatriados significa trabalhar com pessoas, e não apenas lidar com números ou “talentos” dentro de uma empresa. Essa é uma perspectiva que todos os prestadores de serviço e especialistas em RH/mobilidade global precisam manter sempre em mente em cada interação. Segundo a conhecida Escala de Estresse de Holmes e Rahe, mudanças de residência estão entre os eventos mais estressantes que uma pessoa pode viver, ficando logo abaixo de acontecimentos de grande impacto, como a morte do cônjuge. Quando essa mudança envolve uma realocação internacional, o estresse e a complexidade aumentam exponencialmente. Como profissionais de mobilidade global, precisamos sempre manter o “toque humano” e abordar nossos expatriados de forma que eles se sintam seguros e à vontade. Muito do que estão vivendo foge ao seu controle — e continuará sendo assim —, por isso, nosso papel é reconhecer essas emoções e criar espaço para acolhê-los ao máximo durante essa transição.

Certa vez, conduzi um treinamento presencial na casa de um expatriado recém-chegado em São Paulo. Ele havia acabado de se mudar dos Estados Unidos e sua família ainda não tinha chegado. Durante nosso intervalo para o café, reparei em algumas fotos de família sobre a lareira e perguntei sobre elas. Ele me contou que sua enteada havia falecido um ano antes devido a uma overdose de fentanil. Ela tinha 24 anos quando morreu.

Esse é o tipo de história vulnerável e profundamente pessoal que muitas vezes surge quando trabalhamos com famílias expatriadas. A forma como recebemos e lidamos com essas informações faz toda a diferença para que o profissional se sinta acolhido em seu novo país — e tenha a sensação de ser visto e compreendido. Nenhum treinamento intercultural é igual ao outro. Personalizamos cada um para atender às necessidades específicas da família com quem estamos trabalhando, cientes de que estamos sempre lidando com questões de luto e perda.

Nem sempre se trata de algo tão explícito quanto a morte de um ente querido, mas estamos constantemente lidando com o luto de deixar para trás um capítulo da vida: cônjuges acompanhantes que abriram mão de empregos e ambições profissionais para acompanhar o expatriado; crianças que precisaram se despedir de amigos; famílias que tiveram que abandonar sonhos e formas de vida previamente imaginadas.

Minha principal recomendação é simples: trate expatriados como pessoas. Ao fazer isso, eles também tendem a oferecer mais compreensão e empatia em relação à nossa própria humanidade. Utilizar frases como “Infelizmente, eu não sei quando o seu visto será liberado, e sei o quanto é frustrante não ter previsibilidade em relação às datas de viagem” cria espaço para empatia e conexão humana. Às vezes, trata-se apenas de estar presente e testemunhar os sentimentos honestos da pessoa à nossa frente.

Acima de tudo, precisamos nos conectar em um nível humano fundamental. Haverá tempo para cuidar da logística depois.


Holmes, T. H., & Rahe, R. H. (1967). The Social Readjustment Rating Scale. Journal of Psychosomatic Research, 11(2), 213–218.

plugins premium WordPress